Guns N' Roses - Chinese Democracy (2008)

Sim. É ele mesmo. O Guns N' Roses. E sim, é mesmo o Chinese Democracy. E sim: O disco é espetacular. Eu poderia parar por aqui, mas como gosto de escrever e amo música boa, lá vai.

Esse disco começou a ser pensando em 1994. Isso mesmo, foi quando Slash começou a mandar as primeiras fitas com gravações de riffs pro Axl. As gravações propriamente ditas começaram em 1997. O disco foi lançado em 2008. Ou seja: Quase 12 anos de produção real do CD.

De lá pra cá, (quase) todo mundo sabe o que aconteceu com o Guns. Surto(s) psicótico(s) de Axl, uso abusivo de heroína, esfacelamento da banda, e o aparente fim de uma das maiores bandas da história.

O Guns voltou do inferno em 2001, em um show antológico e triunfante no Rock In Rio, onde Axl disse: "Eu atravessei um traiçoeiro mar de horrores para poder estar com vocês aqui esta noite". De lá pra cá, muita coisa rolou, mas isso não é uma retrospectiva, é apenas uma constatação: Mesmo mais velho, com uma voz muito deteriorada, o talento de um músico pode se sobressair.

O Chinese Democracy é um paradoxo. Não se parece com absolutamente nada do que a banda faz anteriormente. Até o conceito "banda" aqui é diferente. É Axl e mais uns 20 integrantes que deram algum tipo de contribuição para o trabalho, deixando-o eclético e inovador. O uso de elementos eletrônicos, ingresso de DJs na banda, Axl explorando sua voz numa levada mais progressiva, tornam cada acorde desse disco uma instigante descoberta.

Músicas como Madagascar, que foi inclusive tocada pela primeira vez no Rock In Rio, com uma levada mais amena, calma, onde Axl Rose canta:

If we ever find it's true,
that we have a strength to choose,
Oh, freedom of all the chains
We have together.


São a marca do disco. Introspecção, e realmente uma caminhada por um mar de horrores. Ou There Was a Time, onde podemos ver ótimos solos e alguns agudos do "véio" e bom vocalista, considerado por esse que vos fala, um dos maiores talentos vocais de todos os tempos.

Sem mais. É Guns N' Roses, é Axl. E vocês vão ter que aturar.

Them Crooked Vultures (2009)


Josh Homme, Dave Grohl e John Paul Jones.

Somente.

01. No One Loves Me & Neither Do I
02. Mind Eraser, No Chaser
03. New Fang
04. Dead End Friends
05. Elephants
06. Scumbag Blues
07. Bandoliers
08. Reptiles
09. Interlude With Ludes
10. Warsaw Or The First Breath You Take After You Give Up
11. Caligulove
12. Gunman
13. Spinning in Daffodils

Peach - Giving Birth To A Stone (1994)

Tem bandas que, por mais que tentassem exaustivamente fazer com que a carreira alavancasse, simplesmente não conseguiriam. É o destino. O Peach teve uma carreira meteórica, que durou de 1991 a 1994 e, por uma grande maré de azar, não conseguiu engrenar. A banda tocava um progressivo/art rock de qualidade que acabaria tornando o Tool uma das bandas de maior renome da atualidade e que, curiosamente, era a banda pra quem eles abriam nas turnês européias da banda norte-americana. Inclusive, o baixista do Tool, Justin Chancellor, tocou no Peach até o encerramento das suas atividades, quando, enfim, trocou de banda. E o Tool tocava duas músicas do Peach em seu setlist até meados dos anos 2000, "Spasm" e "You Lied", que se encontram nesse petardo.

Tecnicamente, a banda não deixava nada a desejar. Pode-se dizer que era pau a pau com o Tool da época. Melodias bem criadas, batidas quebradas no melhor estilo King Crimson, peso na medida certa, tudo o que ninguém fazia nos pobres anos 90. A primeira faixa, a supracitada "Spasm", é agressiva e ideal para iniciar o disco. E, falando no Crimson, eles mandam bem no cover de "Cat Food", mantendo a tom meio poker em mesa de pub. "Velvet" é outra que merece destaque, pelo som grave, intercalando com riffs soturnos.

"Dougal" é fantástica pelo tom crescente do seu riff durante o "refrão instrumental" da música, o que dá um clima assombroso. Essa é pra escutar direto. E o som da banda é tão parecido com o do Tool que dá a impressão que os guitarristas usam a mesma distorção. "Burn" já conta com uma batida rápida e guitarras agudas ao fundo se sobrepondo. Boa música.

Mas sem dúvida, a grande música do disco, a mais bem tocada, a mais famosa, a mais soturna, o grande destaque é "You Lied". Claro, não dá pra comparar o vocal de Simon Oakes com o alcance de Maynard James Keenan, mas o sotaque britânico dá um plus na música.

A grande dúvida é: como um álbum recheado de boas canções, bem produzido e reverenciado por uma das bandas mais competentes do mundo não consegue emplacar? Curiosamente, o álbum foi relançado em 2000 (ano de lançamento do "Salival" do Tool, que continha uma versão ao vivo de "You Lied") e obteve certo destaque nas vendas e crítica. Isso animou Oakes e Rob Havis a montarem uma nova banda, o Sons Of The Tundra, que ainda não conheço.

01. Spasm
02. Naked
03. Catfood
04. Velvet
05. Dougal
06. Burn
07. Signposts In The Sea
08. You Lied
09. Don't Make Me Your God
10. Peach

Peach - Giving Birth To A Stone

Tenhi - Airut: Aamujen (2006)

A música folk sempre se caracterizou por ser muito difícil de ser classificada, por motivos óbvios. Singular em cada região que se analisa, terminou por englobar uma gama absurda de bandas e projetos e, como não poderia deixar de ser, subtrair-se em diversos sub-estilos, entre eles o NeoFolk, meu preferido.

O NeoFolk surgiu primeiramente na Europa, com influências de músicas de cunho industrial. Pode ser tido como uma música folclória acústica ou uma mistura de instrumentos acústicos do meio folk, acompanhada por uma variedade de sons como pianos, harpas, violão clássico e elementos da música industrial e experimental. O gênero cerca um sortimento largo de temas que incluem música tradicional, romantismo e ocultismo. Músicos que trabalham com o neofolk tem o costume de usar freqüentemente gravatas a outros gêneros post-industriais como música neoclássica e marcial, ou tem ligações com círculos pagãos a outros elementos de contra-cultura.



















O Tenhi é uma banda finalndesa de NeoFolk, caracterizada por composições minimalistas e melancólicas, com forte influência folk em seus vocais e temáticas. Este álbum, o Airut: Aamujen, porém, é quase inteiramente tocado no piano, baixo e bateria, diferenciando-se das suas obras anteriores.

As composições desse disco soam lentas, arrastadas, mas ao mesmo tempo bastante criativas, sem soarem repetitivas ou caducas. O disco é extremamente relaxante, reflexivo e introspectivo, ideal para quem quer ouvir algo calmo, mas sem aqueles ideais suicidas Doom ou coisa parecida.

As letras são escritas em finlandês, como não poderia deixar de ser, são facilmente encontradas traduzidas na internet. Falam de conflitos pessoais internos, de decepções. Tudo de uma maneira sensata, racional. Ninguém aqui quer se matar, não é mesmo?

As faixas 02 e 04, respectivamente Seitsensarvi e Luopumisen laulu são os maiores destaques do disco, com o uso destacado do piano e de vocais praticamente declamados. A gravação foi feita na casa de um dos integrantes, mas não soa suja nem nada do tipo. É límpida, cristalina. Um disco extraordinário, que figura fácil entre os 3 melhores do gênero.

Tracklist

1. Saapuminen
2. Seitsensarvi
3. Lävitseni Kaikkeen
4. Luopumisen Laulu
5. Kuvajainen
6. Oikea Sointi
7. Kahluu
8. Hiensynty
9. Läheltä

Download.

The Whitest Boy Alive - Rules (2009)

Num mundo de novas bandas que mal se diferenciam pelos nomes, é normal ficar com o pé atrás em relação a qualquer uma cujo nome comece com o artigo 'The'. É preciso cautela, discernimento e um saco com uma hidrocele crônica. Pois, o Whitest Boy Alive é uma banda alemã, contendo em sua formação o vocalista/guitarrista Erlend Øye, do Kings Of Convenience.

A ideia inicial da banda era para uma banda de dance, trance, psy ou qualquer outra merda dessas. Felizmente, eles abandonaram os eletrônicos e empunharam suas guitarras, baixos, bateria e Rhodes! Assim como o primeiro disco deles, "Dreams", esse "Rules" preza pela limpeza no som e pelo baixo em primeiro plano. A diferença é que eles largaram um estilo mais próprio, mais rock, e adotaram tons desbotados, partindo pra uma proposta retro ao fincar o pé na disco dos anos 70. Um conjunto de músicas com cheiro de boca-de-sino, sabonete Phebo e radiola. Pior de tudo: é bom pra caralho.

01. Keep A Secret
02. Intentions
03. Courage
04. Timebomb
05. Rollercoaster Ride
06. High On The Heels
07. 1517
08. Gravity
09. Promisse Less Or Do More
10. Dead End
11. Island

Nargaroth - Semper Fidelis (2007)

Após o controverso "Prosatanica Shooting Angels", de 2004, o Nargaroth (personoficado pelo músico alemão Rene Wagner, conhecido como Kanwulf) solta esse novo petardo em 2007, “Semper Fidelis”. Um CD, anteriormente planejado para 2001, cercado de expectativa, acerca de um novo direcionamento ou não da banda.

Para os fãs do Black Metal clássico, ríspido; cru e direto, a decepção não será encontrada aqui. O que o CD trás são exatamente as características que fizeram o Nargaroth famoso na cena Black Metal: Um som direto, com aquela "atmosfera de garagem", mas sem deixar de ser extremamente trabalhado e extremamente épico. A diretriz desse novo trabalho pode ser constatada com a arte gráfica da capa. Uma foto de Kanwulf em meio a um ensaio no estúdio, mas com elementos e efeitos de imagem que tornam a mesma épica e grandiosa.

Com quase 1 hora e 20 minutos de duração, "Semper Fidelis" trás de tudo um pouco: Partes de música ambiente, com requintes de música clássica (caso da introdução e de trechos da faixa "Der Satan Ist's"); musicalidade gélida e riffs repetitivos e esporrados (caso de "Vereinsamt"). Além dos vocais urrados e potentes.

Se até então havia dúvidas sobre o direcionamento da banda, visto que outro grande representante da cena Black Metal, – o Darkthrone – resolveu inovar em sua musicalidade, esse receio caiu por terra.

Esse disco mostra que o Nargaroth realmente chegou à sua plenitude, fazendo o que sempre fez, música direta, sem experimentalismos. Em meio a novos direcionamentos dentro do sempre conservador Black Metal, “Semper Fidelis” chega como uma espécie de protesto e afirmação dos ideiais da “cena”, na ótica do mentor da banda.

Em suma. Procurando por um disco autêntico de Black Metal clássico? Profano, herético; sem inovações gritantes, apenas música para destruir seus ouvidos? Semper Fidelis está presente. Aliás, como o próprio título, em latim, já diz: Sempre Fiel. É isso que o CD tenta ser, ao Black Metal.

1. Introduction
2. Artefucked
3. Der Satan Ist's
4. Vereinsamt
5. Der Leiermann
6. Semper Fi
7. Hate Song
8. Into The Dead Faces Of Aftermath
9. Meine Phantasien Sind Wie Brennendes Laub Nicht Von Dauer
10. I Got My Dead Man Sleep
11. I Still Know
12. Outroduction

Semper Fidelis.

Red House Painters - Down Colorful Hill (1994)


Depressão. Esse é um dos discos mais down que ouvi em toda minha vida. Mas essa era justamente a especialidade do Red House Painters: melancolia extrema. Aqui temos uma pequena coleção de músicas que não animaria nem festa de góticos. O serial killer responsável por essa tragédia atende por Mark Kozelek (que hoje tem uma banda chamada Sun Kil Moon), desde as letras terrivelmente tristes às melodias suaves, mas de ambiente carregado.

A "24" que abre o disco é terrivelmente lenta, angustiante. A letra fala sobre a passagem do tempo e toda a merda acarretada.

And I thought
At fifteen that I'd
Have it down by sixteen
And twenty-four keeps breathing at my face
Like a mad whore
And twenty-four keeps pounding at my door

A música tem uma batida lenta, mas tão lenta que dá vontade de dar um FF pra ela passar logo. O riff final, que dura uns 3 minutos, vai piorando a situação a cada mudança de tom, encerrando de forma dramática.

A próxima, "Medicine Bottle", é a minha preferida da banda. Eleita por mim a música mais depressiva da história. Muito por conta dos seus quase 10 minutos. A voz de Kozelek soa distante, ecoada através de paredes escuras numa sala muito ampla de uma cabana no meio de algum bosque encravado no coração de alguma cidade esquecida por aí. A letra fala sobre perda, e vai fundo nisso. A melodia praticamente não se altera ao longo da música e é impossível não entrar de cabeça nela. No meio da música há um solo de guitarra quase imperceptível, pois a base está mais alta, daí pouco se ouve além de um ruído distorcido ao fundo, como uma porta rangendo.

Fosse para citar uma música feliz aqui, ela seria - apesar do título - "Lord Kill The Pain". Dá até pra dançar, se você não perceber a ironia melodia-letra. Esse, sem dúvidas, não é um disco indicado para tardes nubladas ou noites solitárias. A não ser que suas janelas tenham grades e seu pai não seja PM.

01. 24
02. Medicine Bottle
03. Down Colorful Hill
04. Japanese To English
05. Lord Kill The Pain
06. Michael

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