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Alice in Chains - Facelift (1990)



















O Alice in Chains é o exemplo da banda certa no lugar errado. Acaso, destino... Seja como for, eles tiveram a sorte (ou azar) de estar em Seatlle quando o Nirvana e a trupe grunge tiveram todos os holofotes voltados para eles. E acabaram, é claro, sendo taxados de grunges. Fato que talvez não seja todo verdadeiro, pois além das influências vindas do Heavy Metal e do Hard Rock, o Alice in Chains possui um som muito particular. E sabe como é, nem todo mundo que tocava em Seatlle era grunge, assim como nem todo metaleiro é insensível.

Olhando Facelift - primeiro disco da banda - hoje, depois de mais de dez anos de seu lançamento, fica clara que as influências do heavy metal do Black Sabbath e do hard-rock são muito mais acentuadas do que enxergamos em "Bleach", do Nirvana, por exemplo. Logo, é difícil classificar a banda como sendo grunge, principalmente depois de acompanhar bandas como Megadeath, Van Halen, Slayer e Anthrax em algumas turnês. Entretanto, logo após a estréia do clipe de "Man in the box" na Mtv em meio a febre grunge, e a gravação de "SAP" - um EP com quase todas as faixas acústicas e com participações de Chris Cornell(Soundgarden) e Mark Arm (Mudhoney) - a banda se enquadrou, historicamente, entre o movimento que marcou a música no início dos anos noventa.

O ponto é que, mesmo com esse enquadramento, ao ouvir Facelift temos a impressão inegável de que sim, talvez exista alguma coisa grunge ali, mas, definitivamente, os rumos musicais do Alice in Chains são outros. Logo na primeira faixa do disco ("We Die Young") vemos Tony Iommi por detrás do riff de Jerry Cantrell, além dos vocais marcantes de Layne Staley, características essas que permeiam todo o trabalho do grupo; na seqüência está a falada "Man in the Box", riff mais do que conhecido por quem ouvia rock pelos idos anos noventa, e talvez a música mais inclassificável da época: não é pesada o suficiente para ser considerada heavy metal, em contrapartida, pesada demais para colocá-la ao lado de outras canções marcantes do grunge. Esse talvez seja o ponto mais marcante do Alice in Chains, é extremamente complicado definir o som deles.

Outra característica forte de Facelift são as baladas que, no mínimo, fazem com que um arrepio suba coluna acima. Entre essas estão, "Bleed to Freak", "I can't remember", "Confusion" e "Love, hate, love", onde arranjos lentos e pesados fazem a cama para letras como "You told me I'm the only one/Sweet little angel you should have run/Lying, crying, dying to leave/Innocence creates my hell"("Love, hate, love"), ou "These stand for me/Name your god and bleed the freak/I like to see/How you all would bleed for me"("Bleed to Freak"). Isso sem mencionar os vocais de Staley que dão às músicas o complemento exato para a criação dessa atmosfera sombria.

E ainda há faixas improváveis como "I know somethin (Bout you), que não seria exagero dizer que é possível encontrar alguma coisa de Red Hot Chilli Peppers por ali, ou "Put you down" que foge um pouco ao estilo visto nas primeiras faixas do disco.

Ou seja, de uma maneira geral, Facelift é um disco essencial para quem gosta de música. Quase tudo que seria visto nos próximos trabalhos do Alice in Chains - "Dirt" (1992) e "Alice in Chains" (1995) - estão lá, talvez de maneira pouco desenvolvida, mas inegavelmente estão lá. E só para lembrar, depois de "Alice in Chains" de 1995, a banda lançou "Alice in Chains - Unplugged Mtv" em 1996, "Nothing safe" (coletânea) em 1999, "Live" em 2000 e "Alice in Chains - Greatest Hits" em 2001. A banda terminou oficialmente em 2002, com a morte do vocalista Layne Staley devido a uma overdose. A banda voltou em 2009, com novo vocalista William Duvall, mantendo o bom nível dos trabalhos anteriores da banda.

Ps. A capa do CD tem a ver com carnaval, então... Não?

Alice In Chains - Black Gives Way To Blue (2009)

Bora deixar as crianças no jardim e falar de gente grande?

Apenas o nome em cima do encarte dá uma idéia da importância desse CD. É história pura. Depois de mais de 10 anos sem um registro oficial de estúdio, o Alice In Chains está de volta! A banda do lendário ex-vocalista Layne Staley, morto por overdose em 2002, retorna com o competente Black Gives Way To Blue, tendo em sua formação William DuVall nos vocais; Jerry Cantrell (é, aquele); Mike Inez no baixo e Sean Kinney na bateria. O disco, naturalmente, foi cercado de grande expectativa. Ainda existe espaço para uma banda grunge atualmente? A própria pergunta já soa errada. O Alice In Chains é muito mais do que uma simples banda grunge. A sua originalidade, coisa que eu bato muito nas bandas que comento aqui, é evidente. Esse disco mostra o constante flerte com o Heavy Metal e com o Rock Alternativo.

A primeira faixa do disco, All Secrets Known, tem uma sonoridade total início dos anos 1990, total Seattle: riffs arrastados, lentos e introdutórios, vocal "descompromissado" de DuVall e um show da bateria de Kinney. Já a segunda, Check My Brain me fez lembrar na hora de Man In The Box, mas sem soar repetido ou clichê. A letra, por sinal, é sensacional: So I found myself in the sun, oh yeah /A hell of a place to end the run, oh yeah!

Esse, aliás, é uma das maiores virtudes desse disco. Ele consegue dizer que É um autênico Alice In Chains logo nos primeiros acordes, mas sem soar mais-do-mesmo, fato muito comum em bandas que retornam depois de algum tempo no limbo.

A criatividade está em alta. O disco tem músicas para todos os gostos. Grunge, autêntico Heavy Metal, riffs de psicodelia pura e um vocal que, se não é igual ao de Stanley (nem poderia) conseguiu, já no primeiro registro de estúdio, encontrar sua própria identidade, encontrando a harmônia necessária para o que a banda se propõe.

A terceira faixa, Last Of My Kind, é violenta. Os vocais continuam arrastados, técnicos (DuVall é realmente um espetáculo a parte. Que achado!), mas os riffs são mais crus, na veia do Metal Tradicional. Não irei descrever faixa a faixa aqui. Essas três primeiras foram apenas para dar o aperitivo de um disco que não pode faltar no acervo de todo bom ouvinte de Rock. Não se pode dizer que o disco é excelente. Afinal, para uma banda que tem Dirt e Facelift, tem que ser monstruoso, mas poderia ser o marco de qualquer outra banda menor.

Grande disco. A altura da banda. Difícil de ouvir nas primeiras vezes. Mas insista. E claro, escute a última faixa, homônima ao álbum, e se delicie com Elton John como convidado especial, nos teclados. Nikita!

Alice In Chains - Black Gives Way To Blue
Senha: uouwww.com
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