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Peach - Giving Birth To A Stone (1994)

Tem bandas que, por mais que tentassem exaustivamente fazer com que a carreira alavancasse, simplesmente não conseguiriam. É o destino. O Peach teve uma carreira meteórica, que durou de 1991 a 1994 e, por uma grande maré de azar, não conseguiu engrenar. A banda tocava um progressivo/art rock de qualidade que acabaria tornando o Tool uma das bandas de maior renome da atualidade e que, curiosamente, era a banda pra quem eles abriam nas turnês européias da banda norte-americana. Inclusive, o baixista do Tool, Justin Chancellor, tocou no Peach até o encerramento das suas atividades, quando, enfim, trocou de banda. E o Tool tocava duas músicas do Peach em seu setlist até meados dos anos 2000, "Spasm" e "You Lied", que se encontram nesse petardo.

Tecnicamente, a banda não deixava nada a desejar. Pode-se dizer que era pau a pau com o Tool da época. Melodias bem criadas, batidas quebradas no melhor estilo King Crimson, peso na medida certa, tudo o que ninguém fazia nos pobres anos 90. A primeira faixa, a supracitada "Spasm", é agressiva e ideal para iniciar o disco. E, falando no Crimson, eles mandam bem no cover de "Cat Food", mantendo a tom meio poker em mesa de pub. "Velvet" é outra que merece destaque, pelo som grave, intercalando com riffs soturnos.

"Dougal" é fantástica pelo tom crescente do seu riff durante o "refrão instrumental" da música, o que dá um clima assombroso. Essa é pra escutar direto. E o som da banda é tão parecido com o do Tool que dá a impressão que os guitarristas usam a mesma distorção. "Burn" já conta com uma batida rápida e guitarras agudas ao fundo se sobrepondo. Boa música.

Mas sem dúvida, a grande música do disco, a mais bem tocada, a mais famosa, a mais soturna, o grande destaque é "You Lied". Claro, não dá pra comparar o vocal de Simon Oakes com o alcance de Maynard James Keenan, mas o sotaque britânico dá um plus na música.

A grande dúvida é: como um álbum recheado de boas canções, bem produzido e reverenciado por uma das bandas mais competentes do mundo não consegue emplacar? Curiosamente, o álbum foi relançado em 2000 (ano de lançamento do "Salival" do Tool, que continha uma versão ao vivo de "You Lied") e obteve certo destaque nas vendas e crítica. Isso animou Oakes e Rob Havis a montarem uma nova banda, o Sons Of The Tundra, que ainda não conheço.

01. Spasm
02. Naked
03. Catfood
04. Velvet
05. Dougal
06. Burn
07. Signposts In The Sea
08. You Lied
09. Don't Make Me Your God
10. Peach

Peach - Giving Birth To A Stone

A Perfect Circle - Mer de Noms (2000)

Maynard James Keenan é um cara engraçado. O cara, no começo dos anos 1980, trabalhava em design de interiores em, Los Angeles, EUA. Ao longo da década, começou a tocar com uns amigos do trabalho e, no final dessa década e começo dos anos 1990, fundou o Tool. Essa banda, carro chefe de Maynard, é caracterizada por um som mais puxado para o Heavy Metal, no começo de sua carreira, e mergulhando fundo no que chamam de "Metal Alternativo" nos anos posteriores. Mas tudo isso, sinceramente, seria limitar demais os horizontes de Maynard. Tanto no Tool, quanto no A Perfect Circle, seus limites musicais são totalmente flexíveis.

O A Perfect Circle surgiu após uma longa batalha judicial entre Maynard e outros membros do Tool, com o primeiro fundando aquela banda em 1999. Logo depois, em 2000, a banda soltaria seu primeiro material, chamado Mer de Noms.
É considerado por muitos como o melhor trabalho do grupo até agora.

'Mer de Noms' significa 'Mar de Nomes'. Ao virar o CD e ler a contracapa, entendemos o porquê. Entre as 12 faixas do CD, 7 são nomes de pessoas.

A diversidade encontrada nesse álbum impede que o ouvinte fique indiferente à mudança de estilos.
Existem lindas baladas, como 3 Libras, Breña e a incrível Orestes (que tem uma das mais belas frases de toda a banda, "one more medicated peaceful moment (give me)"), que conta a lenda mitológica da visão do próprio Orestes.

Maynard mostra toda sua mágoa contra a própria mãe em Judith, onde 'desafia' o Deus em quem ela confiou ao recusar o tratamento contra seu câncer, levando-a a morrer. Temos faixas que te deixam angustiado (positivamente), com um ritmo prestes a explodir ao menor esforço (Rose é o melhor exemplo disso). A bela Renholdër, um instrumental com uma pegada introdutório, deixando você na expectativa do que virá depois. Tudo regado a excelente técnica musical, baixa distorção de guitarras, num clima absurdamente intimista e pessoal, preconizado por Maynard.

Enfim, esse é o tipo de disco onde qualquer ouvinte encontra pelo menos uma ou duas faixas que deixaria no repeat. E se você gosta de variedade e beleza, não pode deixar de ter este álbum na sua coleção.

1. The Hollow (2:55)
2. Magdalena (4:03)
3. Rose (3:24)
4. Judith (4:03)
5. Orestes (4:45)
6. 3 Libras (3:35)
7. Sleeping Beauty (4:10)
8. Thomas (3:29)
9. Renholdër (2:24)
10. Thinking Of You (4:31)
11. Breña (4:02)
12. Over (2:20)

Mer de Noms
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