Amorphis - Eclipse (2006)

Responsabilidade grande fazer essa resenha. Afinal, é da minha banda favorita. Banda essa que possui o melhor vocalista da atualidade, e detem, com certeza, o melhor conjunto entre todas as bandas de Metal. O Amorphis é uma banda finlandesa, que no começo de sua carreira (do início dos anos 1990 até 2003) tocou um som soturno, uma mistura de Death/Doom Metal, com algumas pitadas de progressivo. Sempre figurou no hall de bandas competentes, fazendo discos excelentes, como o The Karelian Isthmus. Mas nunca havia sido enquadrada no top-top.

A nova era da banda começou em 2005, com a entrada do vocalista Tomi Joutsen. O outro vocalista, que também fora um dos fundadores da banda, Pasi Koskinen, saiu em 2003, e a banda entrou em um hiato de 2 anos a procura de uma nova voz para a banda. Com a escolha, a banda mudou de cara, e a prova de que a espera valeu a pena se deu quando saiu o primeiro CD de uma trilogia que se anunciava. Esse CD é o Eclipse. Qualquer simbologia do título e capa do disco com o momento da banda naquela situação não foi mera coincidência.



















O Eclipse apresentou uma direção nova no som do Amorphis. O clima soturno e obscuro ainda era identificável, mas não como antes. As guitarras arrastadas e as músicas densas foram lentamente se transformando em um som mais melódico, mais mesclado com solos de guitarra e buscando uma maior fusão com a música folclórica finlandesa.

O novo vocalista foi uma peça primordial para o novo direcionamento musical da banda. Com uma variação de timbres impressionante, Tomi consegue ir do gutural ao melódico em segundos, e o que está presente nesse disco é apenas o início do progresso que o mesmo deteve em sua técnica vocal.

Músicas como "Two Moons", "Born From Fire" mostram como ele consegue ser um vocalista extremamente potente, sem perder em nenhum momento a capacidade de cantar de forma clara, tanto nos momentos de guturais, quanto nos fantásticos momentos melódicos. Sem contar com "The Smoke" que, na minha opinião, é a melhor música até agora, nessa nova fase do Amorphis, que depois do Eclipse, já lançou mais dois discos, igualmente esplêndidos, que serão resenhados aqui mais adiante.

A banda ressurgiu, e o melhor: Com identidade. Tomi Joutsen é, desde 2006, o melhor vocalista de todas as vertentes do Metal, e o Amorphis tornou-se a banda mais ascendente exatamente nesse mesmo período. Um gigante.

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Survivor - Eye Of The Tiger (1982)

Essa semana eu revi os três primeiros filmes da série Rocky. Portanto, é impossível falar de outro disco, e, consequentemente, de outro hit. Não sou grande apreciador de Hard Rock, mas isso aqui ultrapassa qualquer convenção. Então, vamos lá.

Ta! Ta-ta-ta! Ta-ta-ta! Ta-ta-tannnnnnnn! Sim, meus amigos, o mega hit dos anos 80 e música de abertura do Boxe e do inesquecível Rocky III, está aqui nesse genial disco de 1982, que mudaria definitivamente os padrões de som dos anos 80 e levaria o Survivor ao estrelato. Eye Of The Tiger é sem sombra de dúvida, a obra-prima da era Dave Bickler, e não é pra menos.

Round I: Soa o gongo e começa o embate: "Eye Of The Tiger" chega destruindo e aplicando uma ótima direita no oponente, com um impacto vibrante e impressionante. O adversário logo revida com um ótimo gancho de "Feels Like Love", com uma batida contagiante, e um lindo solo, deixando o adversário preocupado! O adversário segura as pontas como pode em "Hesitation Dance", diminuindo o ritmo de seus ataques e se defendendo mais. O solo de guitarra impecável coloca o oponente contra as cordas! Soa o gongo! Fim do primeiro round!

Round II: Os adversários reiniciam apenas aquecendo com "The One That Really Matters", até aqui, ninguém é de ninguém. A luta fica na mesma, com a balada "I'm Not That Man Anymore", parece que ninguém quer tomar a iniciativa, mas o adversário manda um solo de guitarra que esquenta o clima um pouco, e prepara terreno para a ótima "Children Of The Night", esquentando o embate novamente. Agora ambos já estão se olhando e procurando falhas na defesa, atacando mais. Os coros de backing fazem a adrenalina subir, e mais uma vez um solo matador esquenta o clima novamente. Soa novamente o gongo.

Round III: Os adversários parecem que amoleceram de novo, pois a lenta balada "Ever Since The World Began" pode ser bonita, mas não decola, deixando tudo na mesma. Porém, chegou o momento da verdade, parece que dessa vez, ou vai ou racha! O adversário aplica um forte gancho em "American Heartbeat", deixando o oponente desestabilizado e sem noção, parece que está tudo ganho! Os sintentizadores tem uma constante paricipação nesse momento decisivo, e colocam todo seu potencial a favor da vitória. Porém o adversário não está tão perdido quanto se pensa e reage numa última tentativa com "Silver Girl", uma cadência country misturada com pop e solos de guitarras muito bem colocados.

Quem sai ganhando nessa, é o ouvinte, que tem em mãos um ótimo registro dessa formidável banda dos anos 80. Fim de combate, e não há perdedores, só ganhadores!

Um marco.

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Mestre Ambrósio - Fuá Na Casa De Cabral (1998)

Nada como uma moda que vem, faz seu estrago e passa. O manguebit dos anos 90 criou em mim grande preconceito em relação às bandas de Pernambuco, pois era tudo o que se ouvia na época, principalmente após a morte de Chico Science. O Mestre Ambrósio pegou uma bela carona na onda do movimento, mas muito mais focado na mistura do regional com o eletrônico e o rock que o contrário. Era uma síntese da música que se encontrava somente nos guetos da zona da mata do estado. E ser regionalista nessa época era um ótimo negócio. Digo isso sem querer tirar a legitimidade da proposta da banda, que é excelente em todos os sentidos. Aconteceu que eles foram simplesmente a banda certa na hora certa.

Posso dizer que esse disco é perfeito, um dos melhores da música brasileira de todos os tempos fácil. Tão bem reconhecido que o New York Times o colocou no Top Ten alternativo da época. E faz por merecer, tecnica e conceitualmente. Músicos competentes, embebidos nos ritmos da região, como o maracatu, coco, ciranda, baião, samba e forró, letras inteligentes e acima da média e toques leves da música moderna, com guitarras ecoando no fundo das músicas.

"Os Cabôco" tem todo um clima de fuga em disparada no meio da noite. "Sêmen" tem uma letra linda e melodia idem. A faixa-título deixa seus pés inquietos, com um forró de primeira qualidade. E et cetera, et cetera, et cetera. Quem tinha algum preconceito com a música produzida aqui, legitimamente aqui, é hora de perder. Não é parafernália mangue desenfreada falando de antenas. É música de qualidade, rica, lírica, com clima, substância e ambiência.

01. Trupe (Queimar Carvão)
02. Os Cabôco
03. Fuá Na Casa De Cabral
04. Sêmen
05. Vó Cabocla
06. Pareia
07. Esperança (Na Mata Eu Tenho)
08. Pescador
09. Chamá Maria
10. Pé-De-Calçada
11. Usina (Tango No Mango)
12. Se Zé Limeira Sambasse Maracatu
13. Pedra De Fogo
14. Maria Clara
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Alcest - Souvenirs D'Un Autre Monde (2007)

Antes de tudo e qualquer coisa, gostaria de deixar claro: nunca ouvi nada tão triste e melancólico em minha vida.

Acreditava que álbuns como Dammation do Opeth e The Acoustic Verses do Green Carnation fossem insuperáveis nos quesitos citados, mas sem dúvidas esses "prêmios" repasso para o álbum Souvenirs d’un Autre Monde da banda francesa Alcest.

O Alcest é uma daquelas bandas formadas apenas por uma pessoa (one-man band) tendo como idealizador no caso Neige, que já integrou bandas de Black Metal como o Peste Noire e Mortifera.

Esse currículo Black Metal de Neige praticamente em nada influencia a sonoridade do Alcest. Podia-se definir isto aqui como Melancholic Metal, mas acho que rotular não vem ao caso, aqui encontra-se um Doom Metal com algo que parece ter sido retirado do primeiro álbum do Radiohead.

Sei que isso soou estranho, mas foi o que consegui elaborar para tentar relatar o que ouvi em Souvenirs d’un Autre Monde. Destaque total para os vocais, que são completamente limpos e muito bonitos, que dão uma sensibilidade e emoção únicas para cada faixa deste álbum. Os arranjos de violão e de teclado deixam as longas composições muito bonitas e fazem com que "Souvenirs d’un Autre Monde" e Ciel Errant se destaquem.

As letras cantadas em francês (caso você seja igual a mim e não saiba nada de Francês, as letras podem ser achadas em Inglês na Internet) falam sobre tristezas e decepções e algumas soam até como uma auto-ajuda. As músicas podem ser remetidas facilmente a lugares abstratos e bucólicos. Isso mesmo, viagem pura.

Um CD que pode mexer forte com os sentimentos de quem o ouvir, uma trilha sonora agonizante que parece esmorecer faixa-a-faixa.

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The Walkmen - You & Me (2008)


Mais uma bandinha interessante que me apareceu essa semana, enquanto via um intervalo comercial da MTV. Vislumbrei, meio que sem querer, 15s de uma música do The Walkmen, que nem lembro mais qual é. Mas o folk suave e uma voz rasgada que muito me lembrou uma mistura de Perry Farrell (Porno For Pyros e Jane's Addiction) com Bob Dylan captaram a minha atenção. Corri no YouTube e catei um clipe qualquer deles, dando de cara com "In The New Year", que mostra cenas de uma película antiga misturadas a imagens do vocalista Hamilton Leithauser em ação. Pra mim, é a melhor música do disco, pelo seu belo riff do refrão e vocal primoroso, vigoroso de Leithauser.

Comparando com outras bandas que tenho ouvido ultimamente, o Walkmen não tem muito de novo a oferecer. Band Of Horses, I Am Kloot e outras que agora não lembro também soam intimistas e distantes em suas músicas. Mas isso não tira um pingo de competência dos caras, que mantém uma regular soturnidade ao longo de todo o disco. Como diferencial, os caras preferem usar instrumentos antigos para dar mais autenticidade à forma que eles pretendem soar. Mas o grande destaque, de fato, é Leithauser e sua voz qualquer-coisa-menos-apática. Mas também vale destacar como o som da banda parece sair de um inferninho num subsolo qualquer sem que nunca tivesse havido público algum para assisti-los. O vazio preenche todo os espaço que há entre os instrumentos.

Essecialmente, um disco depressivo, nas letras e composições. Esse é pra ouvir trancado no quarto na virada do ano, pros que acham que 2010 vai ser uma merda tão grande quanto os demais anos passados. Claro que a faixa da virada é exatamente "In The New Year".

01. Donde Está La Playa
02. Flamingo (For Colbert)
03. On The Water
04. In The New Year
05. Seven Years Of Holiday (For Stretch)
06. Postcards From Tiny Islands
07. Red Moon
08. Canadian Girls
09. Four Provinces
10. Long Time Ahead Of Us
11. The Blue Route
12. New Country
13. I Lost You
14. If Only It Were True

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Warrel Dane - Praises To The War Machine (2008)

Warrel Dane já está beirando a casa dos 40 anos. E se lembrarmos que, desde 1981, as bandas Serpent's Knight, Sanctuary e o Nevermore (um dos gigantes do Heavy Metal), tiveram o cara no comando dos vocais, atestamos que a idade só tem dado mais poder e criatividade para o poderoso rapaz nascido em Seattle.



















A idéia de lançar um CD solo já é antiga por parte de Warrel Dane. Antes de “This Godless Endeavor” (2005), último disco do Nevermore, o cabeludo com voz melosa e fã de uma boa cerveja já tinha em mente um disco só dele, com algo mais “light” do que o praticado na banda principal. Assim como o novo disco do Nevermore está sendo produzido, não exigindo ainda muito do vocalista, Dane teve tempo suficiente para trabalhar na nova empreitada. Chamou uns amigos e colocou a cabeça e as mãos para trabalhar.

Fabuloso letrista, Warrel Dane conseguiu, novamente, fazer poesia, brincar com as palavras e ao mesmo tempo colocá-las em um arranjo bem Heavy Metal. As músicas são bem mais leves em consideração ao trabalho no Nevermore, mas não deixam de ser atrativos para os fãs de longa data. Até mesmo devido à maior virtude de Warrel Dane, que é a impostação e a emoção com que ele canta. Dá para imaginar o cara na maior gritaria ao microfone, segurando o pedestal com as duas mãos, como se fosse a última coisa que ele pudesse fazer na vida.

“When We Pray”, música de abertura, já passa bem qual a mensagem que o vocalista quer mostrar neste primeiro cd solo. Refrão pegajoso, pegada tradicional do Heavy Metal e uma canção que gira em torno da letra e da forte interpretação do autor. Tudo meticulosamente dosado para que o ouvinte tenha a certeza que não está ouvindo mais um disco do Nevermore, mesmo que em marcha mais lenta.

Warrel Dane teve a brilhante idéia de chamar os guitarristas Jeff Loomis e James Murphy para incrementar algumas músicas. Jeff fica com o solo de “Messenger”, segunda música do disco, e dá para perceber que esta parte realmente lhe caiu bem. Já James Murphy, produtor que fez uma ponta em “This Godless Endeavor” fica com o solo de “The Day The Rats Went To War”, oitava faixa do disco, possuidora de um refrão bastante simples, mas muito bonito.

O disco trás grandes surpresas, como o cover de “Lucretia My Reflection”, música da banda britânica Sisters of Mercy, que se encaixou muito bem no contexto do álbum, sombrio, mas ao mesmo tempo gostoso de ouvir. A balada “Your Chosen Misery”, dá uma desandada, principalmente pelo ar melancólico. Na parte final do CD, vem outro cover: “Pattherns” do músico norte-americano Paul Simon, que também surpreende pela adaptação.

Oficialmente, a banda é formada por Warrel nos vocais, Matt Wicklund na guitarra, Dirk Verbeuren na bateria e Peter Wichers na guitarra. Os dois últimos são ex-integrantes da banda sueca Soilwork, sendo que ao último coube a mixagem e produção do disco e a gravação do baixo. São músicos competentes e com uma tarefa difícil: agradar Warrel Dane, que vinha desde anos pensando nesta produção que leva o nome de um dos mais brilhantes vocalistas de Heavy Metal da atualidade.

Dê uma olhada.

Septic Flesh - Communion (2008)

Nunca ficou realmente claro o motivo de uma das mais criativas bandas do underground grego ter encerrado suas atividades em meados de 2003, depois de uma trajetória de 13 longos anos em prol da música extrema. O Septic Flesh havia liberado nesse momento um ótimo registro chamado "Sumerian Daemons" e logo depois, simplesmente anunciou seu fim.


Mas eis que, felizmente, em 2007, a carne se renova... Spiros 'Seth' (voz e baixo), Christos Antoniou (guitarra) e Sotiris Vayenas (guitarra) decidiram voltar ao cenário com planos grandiosos para seu novo registro. E "Communion" é o fruto que marca o retorno do Septic Flesh com todas as honras possíveis, mostrando que a ambição sempre exibida em seus discos continua em alta.

E põe em alta! Para esta gravação foram utilizados os serviços de uma orquestra composta por 80 músicos e 32 cantores, orientada por ninguém menos do que o próprio guitarrista Christos Antoniou. Assim sendo, muito da estética de seu último álbum agora está envolvida por toda uma dinâmica até então inédita mesclada à peculiaridade de seu rico Death/Black Metal.

As músicas são simultaneamente intrincadas e pegajosas, tendo em “Lovecraft's Death” uma perfeita abertura. Vale mencionar ainda a própria “Communion” e “We The Gods”, duas faixas onde tudo é muito denso e distorcido, além de ocasiões ainda mais épicas como “Sangreal”, “Narcissus” e “Anubis”, esta última sendo a melhor música disparada do CD, e uma das melhores de todo o ano de 2008, com ótimo trabalho de vozes.

Durante a audição se observa a brutalidade do Heavy Metal extremo, a atmosfera bombástica da música clássica e ainda a aplicação de contrastantes melodias leves e muito bonitas. Extravagâncias à parte, “Communion” mostra que o versátil Septic Flesh ainda tem muito a oferecer ao público, sendo um disco altamente recomendável a quem aprecia bandas como Behemoth, Dimmu Borgir ou o clima meio ‘hollywoodiano’ que o Therion tem elaborado em seus trabalhos mais recentes.

Excelente!

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